Nesse artigo vou compartilhar com você minha experiência comprando serviços de streaming para a Rádio Geek, os desafios e explicar os pontos mais importantes que você deve colocar na balança na hora da decisão.

No começo tudo é flores

O ano era 2016 e, quando ainda planejavámos o lançamento da Rádio Geek decidimos contratar os serviços da BrLogic por 2 motivos: 1) o preço, R$51,99 2) porque era o fornecedor de a 89FM.

A ativação do serviço foi tranquila. Eles forneceram alguns tutoriais fáceis de seguir. Achamos o painel um pouco confuso e cheio de coisas que não usaríamos. Em pouco tempo configuramos o que precisávamos, escolhemos o template do player online, fizemos a primeira versão do nosso site e tudo funcionava bem.

Fizemos um plano de lançamento. Divulgamos nas redes sociais. Lançamos o site e nosso app mobile e em novembro daquele ano fizemos a primeira transmissão pública.

Olhamos as estatísticas no painel da BrLogic e números eram incríveis!

Em dezembro fechamos com a Campus Party para realizar 88 ações de entretenimento na área dos campuzeiros. Esperávamos dobrar nossa audiência após o evento. Mas então, a BrLogic nos comunicou que nossos números estavam "estranhos". Analisamos e identificamos que o processo de obter o metadado da transmissão gerava muitas sessões de 0 segundos de duração.

Pedimos o log do servidor. Eles nos mandaram e montamos um sistema de contabilização da audiência tentando, primeiramente, reproduzir os valores indicados no painel deles. Sem sucesso. Nada batia. Então, desistimos e adotamos uma contabilização considerando apenas conexões de, no mínimo, 1 minuto de duração e passamos 3 semanas pra validar o sistema. Ai, passamos a pedir o log todos os meses.

Uma outra coisa que foi uma pedrinha no sapato foi o sistema de metadado baseado no nome do arquivo. Se deixássemos nomes genéricos facilitava a operação e ficava estranho para o ouvinte.

Reclamações difíceis de resolver

Como a BrLogic também era fornecedora da 89FM e nós gerenciávamos do aplicativo mobile, todas as reclamações dos ouvintes eram repassadas para o nosso time.

O Vitals fornece métricas e comporativos com outros aplicativos da mesma categoria

Montamos um mapa de tagueamento bem extenso na tentativa de identificar esses travamentos... foram meses de trabalho e diversas versões, mas todas, todas mesmo, sem sucesso. Estavamos sem ideias. Ai, o Google lançou uma ferramenta na loja de aplicativos chamado "Vitals". Com ele tínhamos métricas de qualidade e alguns comporativos com outros aplicativos da mesma categoria. E a taxa de problemas estava muito baixa!

Peraí! Se a taxa de problemas está baixa porque os ouvintes estão reclamando?

Decidimos fazer um novo teste. Contratamos a Blackdoor Sec, especialista em segurança e transmissão de alta performance, e eles montaram um servidor de transmissão dentro infraestrutura deles. Meu pensamento: "se com eles, que atendem as maiores empresas de game e tecnologia do mundo, que tem um nível de exigência muito maior que uma rádio, funcionar bem, o problema não é o aplicativo".

Mudamos no aplicativo e, em 45 dias de teste, NENHUMA RECLAMAÇÃO!

Lições aprendidas

Lição 1: A localização do servidor faz toda diferença

Nem preciso dizer que a qualidade da conexão internet no Brasil é ruim, né? Por isso, quando sua rádio é de São Paulo e você envia o sinal para um servidor em Dallas nos EUA, quanto mais para o Norte do Brasil, melhor a conexão do seu ouvinte, quanto mais ao Sul, pior a conexão.

São Paulo é um "mundo" diferente. Cerca de 70% de toda conexão internacional que sai ou chega no Brasil, passa por aqui. Só que, mesmo os ouvintes de Sampa vivem realidades diferentes, quanto mais perto do centro empresarial (Paulista, Berrini, Vila Olimpia, etc), melhor a conexão internet, quanto mais longe, pior.

Para transmitir relativamente bem no Brasil de um servidor de fora do Brasil trabalhe com uma qualidade de 32Kbps ou menos.

Ou seja, se o sinal sai da sua rádio para a OVH no Canadá, muito provavelmente, os ouvintes da Zona Leste de São Paulo e do Sul do Brasil terão problemas com seu streaming e, se você tiver sorte, ele vai reclamar e você poderá agir para não perder esse ouvinte.

Lição 2: O formato de transmissão importa

Diferentes fornecedores defendem diferentes formatos de transmissão.

Tem fornecedores que defendem o HLS. Outros, o Shoutcast. Alguns, o Icecast. E há quem ainda defenda o RTMP.

Icecast e Shoutcast são os mais utilizados por rádios do mundo todo

Na prática, o HLS vai exigir que sua rádio compre/tenha um software da Adobe para enviar o sinal via RTMP e ser convertido para HLS. Por natureza, esse padrão precisa fazer cache da transmissão e, com isso, a rádio tem um grande atraso na transmissão. Além disso, a mensuração de estátisticas é mais complexa e menos confiável e, por isso, requer que os players tenham programas extras e específicos. E o bitrate variável? Bom... na prática não vi ninguém fazer funcionar.

Icecast e Shoutcast são muito utilizados por rádios do mundo todo. Todos os encoders trabalham com eles (inclusive os gratuitos). Tem o menor atraso na transmissão. Funcionam em todos os navegadores e smartphones. É mais fácil extrair estatísticas.

O RTMP é o mais complicado porque, atualmente, nada é compatível com ele por padrão.

Qual escolher? Para o Ao Vivo vá de Shoutcast ou Icecast!

Lição 3: Entenda a limitação

Sabe aquele papo de ouvintes ilimitados? Ou transferência ilimitada? Tudo isso, na prática, nunca vai acontecer!

Você realmente conhece alguma coisa que seja ilimitado de verdade?

Tem fornecedores que oferecerem ouvintes ilimitados mas limita pela quantidade de transferência de dados. O que isso significa na prática? Esse tipo de oferta pressupõe que você terá poucos ouvintes simultâneos e ou baixo tempo médio de audição. Por exemplo, uma transmissão a 64Kbps para apenas 10 ouvintes simultâneos pode consumir até 1.658 GB de dados mensais.

Outros fornecedores oferecem transferência ilimitada mas limita pela quantidade de ouvintes simultâneos. O que isso significa na prática? Quando você atinge o limite ou o servidor rejeita novas conexões ou todas as conexões sofrem com constantes "carregamentos" e você tem um baixo uptime do serviço.

Qual escolher? Compre ouvintes simultâneos, assim será mais fácil prever custos e projetar o crescimento.

Checklist para uma boa compra

  1. É para o Ao Vivo? Prefira Icecast ou Shoutcast;
  2. Onde está o servidor? Se estiver no Brasil, pode trafegar em 64Kbps, senão, trabalhe com 32Kbps;
  3. Qual o limite? Prefira limite de ouvintes simultâneos porque é mais fácil prever custos e projetar o crescimento;
  4. Prefira quem trabalha com "AAC" do que "MP3";
  5. Quais estatísticas fornecem? Estatítica de contagem de acesso por IP é a pior forma de medir sua audiência;

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